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Perseverança e Engenho
Um comandante militar uma vez parou num mosteiro, no seu regresso a casa após uma campanha militar bem sucedida. Ele foi visitar o abade que era um velho professor dele.
Enquanto o abade e o comandante militar se sentaram no pátio falando prazenteiramente e bebendo chá, foram distraídos por uma discussão entre um noviço e o monge sénior. O noviço estava a queixar-se que a técnica de meditação que o monge sénior lhe havia dado era ineficaz e imprestável. "Não me consegue ensinar como concentrar e muito menos meditar," gritou o noviço. "Dê-me uma técnica mais fiável."
Observando que a discussão estava afligindo o velho mestre, o comandante militar demorou-se e disse, "Por favor, Mestre, permita-me ajudar este jovem." Após o mestre ter assentido o seu consentimento, o comandante militar reuniu seis dos seus arqueiros.
O comandante militar encheu então a sua chávena de chá até aos bordos e cuidadosamente deu-a ao noviço. "Toma esta chávena de chá," ordenou, "e sem derramar uma única gota, leva-a à volta de toda a periferia deste pátio."
Enquanto o noviço pegou na chávena, o comandante ordenou aos seus arqueiros, "Sigam-no! Se ele derramar uma gota que seja, atirem sobre ele!" Os arqueiros puxaram dos seus arcos e começaram a andar ao lado do noviço que, nos vinte minutos seguintes, aprendeu a concentrar-se.
Caros amigos, não há substituto para a determinação. Iluminação é uma matéria séria. Não pode ser obtida com uma atitude casual ou relaxada. Deverás ser determinado em ser bem sucedido e engenhoso na tua determinação.
É estranho dizer isto, mas o sucesso na meditação exige os mesmos requisitos que ser suspeito de um crime: uma pessoa tem que ter um motivo, meios e oportunidade. Não é suficiente ter apenas um ou dois para se ser considerado suspeito. Deverá ter-se os três: motivo, meios e oportunidade.
Para o ajudar a compreender isto, irei contar-lhe várias histórias. Testemunhei pessoalmente a primeira:
No ano de mil e novecentos, seguindo-se à famosa Rebelião Boxer contra os estrangeiros, oito potências estrangeiras, provocadas pelos ataques aos seus consulados, enviaram forças expedicionárias a Pequim. O Imperador Manchu Guang Sui e a Imperatriz Zi Xi apoiaram os Boxers nos seus ataques aos estrangeiros, e naturalmente temeram então pelas suas vidas. Disfarçados, fugiram de Pequim, procurando a segurança da Província Shanxi. Eu era membro da sua comitiva.
Ninguém estava preparado para a jornada. Partimos tão subitamente e sob tais condições de emergência, que não houve tempo para nos abastecermos para a viagem. Não tínhamos qualquer comida. Também não tínhamos cavalos ou dinheiro.
Como podem imaginar, a situação foi particularmente difícil para a família Imperial. Não apenas eles nunca tinham passado fome, como também todos os seus caprichos de apetite foram sempre satisfeitos com as mais finas iguarias. E claro, nunca tiveram de andar a pé para parte alguma. Cadeirinhas e carruagens sempre mantiveram os seus pés a uma boa distância do chão. E ali estavam eles... tentanto passar por cidadãos vulgares!
No primeiro dia, andamos e andamos e fomos ficando com cada vez mais fome, no entanto, cavalariças Imperiais e cozinhas eram apenas uma memória persistente.
Finalmente, exaustos e famintos, implorámos por comida; e um camponês acabou por nos dar videiras de batata doce e folhas, comida que é normalmente reservada para os porcos.
O Imperador, que era completamente mole e mimado, nunca havia antes comido alimento de porcos; mas porque estava com tanta fome, ele pensou verdadeiramente que as videiras e as folhas eram deliciosas. "O que é esta excelente comida?" perguntou; e ficou certamente surpreso ao saber da sua identidade. "Mais, mais", disse ele, e comeu tudo o que pôde com prazer.
Ele não pôde demorar-se sobre esta prazenteira refeição porque, infelizmente, estávamos escapando de oito diferentes exércitos. Tivemos que "comer e correr", como se costuma dizer. Apressadamente fomo-nos embora.
Então estava o poderoso Imperador da China, que previamente era levado para todo o lado para onde fosse e que nunca havia comido senão das melhores iguarias gastronómicas, a correr pela estrada e a jantar forragem para animais. Creio que se pode dizer que ele estava a ficar em forma... mentalmente, também, porque ele havia perdido todos os seus ares Imperiais e parecia prosperar na simplicidade e humildade da situação.
Mas o que havia motivado o Imperador a andar tão depressa e a gostar de comer comida tão comum? Vou dizer-vos: Oito exércitos estrangeiros queriam-no matar e ele sabia-o. Ele estava a correr pela sua vida e subitamente desenvolveu um sentido bastante perspicaz do que era importante para aquele esforço e o que não era.
Mais tarde, quando a paz foi restaurada e os estrangeiros foram embora, e o Imperador e a Imperatriz estavam prontos para voltar a Pequim, ele voltou aos seus antigos modos. Tornou-se novamente no elevado e poderoso senhor. Toda a vez que sentiu a mais leve fome, encheu-se de iguarias, e claro que nunca mais foi a pé para sítio algum. Quando estava a fugir pela sua vida, era feito de aço. Mas agora, mais uma vez, era mole e mimado.
Se ele tivesse aplicado a mesma determinação para escapar dos inimigos do seu espírito como mostrou para fugir dos inimigos da sua carne, haveria alguma coisa neste mundo que não conseguisse concretizar? Bem, todos nós sabemos o que aconteceu à Dinastia Manchu.
Caros amigos, os demónios da preguiça, do orgulho e da gula nunca negociam paz. Estão sempre em guerra. Apenas uma determinação feroz pode conquistá-los. E conquistados, eles respousam e esperam que nós afrouxemos na nossa resolução pois que, podem ter a certeza, eles irão reaparecer na próxima oportunidade.
Determinação e engenho. São indispensáveis. Nunca se tornem escravos da comodidade e do conforto. Aprendam a adaptar-se a todas as situações em que se encontrem. Recebam melhor as dificuldades do que as facilidades. As dificuldades irão presentear-vos com desafios. É na superação destes obstáculos que irão desenvolver o carácter e habilidade. Os desafios são os nossos maiores professores.
Não tenham medo de falhar. Apenas tentem e tentem novamente. Há um velho ditado que vale a pena relembrar: O bom julgamento vem com a experiência, e a experiência vem do mau julgamento.
Se não deixarem que os falhanços vos derrotem, eles irão tornar-se na fundação a partir da qual o vosso sucesso irá seguramente descansar.
Deixem-me contar-vos acerca de um homem humilde que adquiriu um nome pouco usual, "Mestre Imperial das Calças de Dragão".
Uma vez no tempo - na realidade, na última metade do Século Dezasseis - havia um pobre e iliterado homem que devotamente desejou ser iluminado. Ele acreditava que era demasiado desgraçado e indigno para tornar-se monge Budista mas de qualquer forma foi a um mosteiro e pediu permissão para lá trabalhar nos campos.
Todos os dias este homem humilde trabalhou alegremente do amanhecer ao crepúsculo. Era demasiado tímido para pedir directamente ajuda a alguém. Ele simplesmente esperava que ao observar os monges, pudesse descobrir um método pelo qual pudesse atingir a iluminação.
Um dia foi ao mosteiro um monge visitante. Este monge havia atingido um ponto baixo na sua vida espiritual e andava volta de vários mosteiros tentando encontrar uma via para renovar a sua fé. Aconteceu ele dar conta do homem trabalhando tão alegremente nos campos, e ficou maravilhado com o entusiasmo do homem pelo trabalho duro. Porque gostaria da vida, aquele homem? Qual poderia ser o seu segredo?
E então o monge foi ter com o homem e com humildade e admiração perguntou, "Senhor, poderás ser suficientemente gentil para me dizeres qual o teu método? Que prática segues?"
"Eu não tenho prática," disse o homem, "mas certamente gostaria de aprender uma. Venerável Mestre, poderás ser suficientemente gentil para me dares uma pequena instrução?"
O monge visitante viu a sinceridade e humildade do homem e ficou bastante tocado por isso. "Tu fizeste por mim aquilo que muitos mestres não conseguiram fazer," disse. E estando verdadeiramente inspirado, renovou o seu voto e a sua determinação para atingir a iluminação mesmo ali no momento. E então disse ao homem, "Apesar de nenhuma instrução que te possa dar possa ser tão valiosa quanto a instrução que me deste pelo teu exemplo, ficarei muito feliz por te oferecer qualquer conselho que possa. Eu sugiro, Bom Senhor, que te empenhes em compreender o Hua Tou, "Amitabha! Quem é que agora repete o nome de Buda?"
Enquanto trabalhava ao longo do dia, o homem meditava neste Hua Tou. E então, quando o inverno veio e não havia mais trabalho de quinta para ele fazer, retirou-se para uma caverna na montanha e continuou a trabalhar no seu Hua Tou. Ele fez uma cama de fragrantes agulhas de pinheiro. Para comida, juntou castanhas de pinheiros e escavou raízes da terra. Fez um pote de argila e depois de o cozer no fogo, estava apto a ferver neve para fazer chá e sopa.
Próximo da sua caverna na montanha havia uma pequena aldeia e enquanto o inverno se foi consumindo e as pessoas foram utilizando os seus armazenamentos de comida, começaram a ir ter com ele, pedindo comida. Ele deu-lhes o que pôde e mostrou-lhes a localização das melhores árvores de pinheiro e raízes, mas muitos deles estavam demasiado fracos para procurarem comida. Pior, na sua fome haviam-se tornado maus, egoístas e pouco cooperativos.
O homem sabia o que fazer. Fez um grande pote de argila e levou-o ao centro da aldeia. Então encheu o pote com neve e acendeu lume por debaixo. Naturalmente todos os aldeões saíram para ver o que estava ele a fazer.
"Hoje," anunciou, "vou ensinar-vos a fazer sopa de pedra." Todos riram. Não era possível fazer sopa de pedras. Mas o homem escolheu algumas pedras da montanha e depois de as lavar cuidadosamente, atirou-as para o pote. Então, do bolso do seu casaco gasto, retirou algumas castanhas de pinheiro e algumas raízes secas.
Um dos aldeões disse, "Vai precisar de algum sal para essa sopa."
"Ah," disse o homem, "Eu não tenho sal."
"Eu tenho," disse o aldeão. "Dou uma corrida a casa e vou buscá-lo."
Outro aldeão disse, "Sabe, eu tenho uma velha couve na minha cave. Gostaria de a incluir na sopa?"
"Claro," disse o homem. "Seria uma maravilha!" E aquele aldeão correu a casa para ir buscar a sua velha couve.
Outro aldeão ofereceu duas cenouras franzidas, enquanto ainda outro se lembrou de uma cebola que tinha armazenado. Mãos cheias de arroz vieram de vários lares. Uns quantos mais vegetais, um pequeno aipo selvagem, uma pitada de pimenta, e então, para delícia de todos, o delicioso cheiro da sopa encheu o ar. As pessoas trouxeram as suas tigelas e comeram com tal alegria! Havia muita sopa para todas. "Que tipo esperto," concordaram todos, "para ser capaz de fazer tão boa sopa de pedras."
Agradeceram ao homem pela sua receita, cujos principais ingredientes foram amor e generosidade. Novamente o homem voltou à sua caverna e continuou o seu trabalho no Hua Tou. Quem é aquele que agora repete o nome de Buda?"
Ele foi ficando famoso por ser uma espécie de "cozinheiro da sopa de pedra"; e quando a sua mãe e irmã ouviram falar do seu maravilhoso poder, foram visitá-lo, trazendo de oferta um rolo de boa seda. Mas quando entraram na sua caverna, ele estava em samadi profundo, e não respondeu às suas observações lisonjeiras nem acusou a recepção do presente. Desapontadas e zangadas, a sua mãe e a sua irmã penduraram o rolo na parede e foram-se embora.
Por treze anos ele viveu naquela caverna e ao fim desse tempo, a sua mãe morreu e a sua irmã foi lá sozinha chamá-lo. Ela estava agitada e deprimida e sentia que a vida não tinha um significado real.
Quando ela entrou na caverna ficou muito espantada por encontrar o rolo de seda pendurado na parede exactamente da mesma forma como o havia deixado. "Que poder secreto tens, que te torna tão independente relativamente às coisas do mundo?" perguntou a sua irmã.
"Eu não tenho qualquer poder secreto," disse. "Eu esforço-me por viver a vida do meu Eu Buda. Eu esforço-me por viver o Dharma."
Aquilo não lhe pareceu uma boa resposta, e então ela levantou-se para sair. "Leva este rolo de seda contigo," disse ele. "Leva também algo que é muito mais valioso." E ele deu-lhe a preciosa instrução Hua Tou. "Todos os dias, de manhã à noite, diz a ti própria, "Amitabha! Quem está a repetir o nome de Buda?"
O Hua Tou imediatamente prendeu a sua atenção. Ainda antes de se ir embora ela começou a progredir espiritualmente com ele. Os seus pensamentos, em vez de serem dispersos e agitados, subitamente assentaram para focarem-se no Hua Tou. Em vez de se sentir deprimida e errante, ela começou a ficar activamente envolvida na resolução do problema. Ela estava concentrando-se em algo para lá dos seus problemas.
O homem, vendo agora como este método fascinou e encantou a sua irmã, compreendeu que era tempo para ele regressar ao mundo e tentar ajudar as pessoas. Ele voltou ao mosteiro onde primeiramente havia trabalhado nos campos e recebeu ordenação no Dharma. Mas declinou viver no mosteiro. Em vez disso, ele prosseguiu para Xia Men, uma cidade na costa sul da Província FuJian, onde construiu para si uma barraca à beira da estrada. Todos os dias juntava raízes e vegetais selvagens e fazia um chá que oferecia, sem nada cobrar, a peregrinos e outros viajantes.
Sempre que alguém pedia conselho a ele sobre matérias espirituais, ele repetia o conselho que lhe havia sido dado pelo monge visitante: ele recomendava aquele Hua Tou! Então, durante o reino do Imperador Wan Li, a Imperatriz Mãe faleceu, e o Imperador, golpeado de mágoa, planeou uma magnífica cerimónia funerária, digna da sua memória. Mas que padre era digno de conduzir o serviço? Isto era um problema! Havia um velho ditado que dizia, "Familiaridade cria desprezo," e o Imperador evidentemente conhecia os padres Budistas da capital muito bem. Ele não pensava que nenhum deles fosse suficientemente santo para conduzir tal serviço sagrado. Dia após dia ele confrontou-se com o problema, e então, uma noite num sonho, a sua mãe falou com ele. "Em Chang Zhou prefeitura da Província de FuJian," disse ela, "há um monge que está qualificado para conduzir o meu serviço funerário." Ela não lhe deu mais informações.
Imediatamente, o Imperador enviou funcionários do governo para a Província FuJian para procurarem o mais sagrado dos monges. E os funcionários, não sendo melhores juízes de santidade então do que são agora, simplesmente escolheram os mais eminentes monges que conseguiram encontrar. Naturalmente, estes monges ficaram encantados por terem sido seleccionados para tal honra e, naturalmente, os funcionários ficaram encantados por terem completado a sua missão; e então um largo grupo de funcionários e monges muito felizes voltaram à capital. No seu caminho, pararam na barraca do monge para um chá.
"Veneráveis Mestres," disse o monge, "Por favor digam-me a razão pela qual estão tão felizes."
Um dos eminentes padres não pôde resistir a gabar-se, "Nós estamos a caminho da capital para conduzir os serviços funerários para a Imperatriz Mãe."
Esta não pareceu uma ocasião de alegria para o monge. Ele respeitava o Imperador e a Imperatriz Mãe que eram ambos Budistas devotos. "Eu gostaria de ajudar-vos," disse, perguntando, "Posso acompanhar-vos à capital?"
Todos os funcionários e padres riram-se dele por ser um tipo tão rude. Então o padre alardeador perguntou incredulamente, "Tens mesmo esperanças de nos ajudar a conduzir os serviços?"
"Oh, não," disse o monge. "Eu meramente gostaria de carregar a vossa bagagem."
"Assim está melhor," disse o padre. "Muito bem, podes vir connosco como nosso carregador."
Entretanto, o Imperador havia ideado um teste para determinar qual dos padres que haviam sido reunidos era digno de conduzir a cerimónia. Ele tinha o Sutra do Diamante gravado numa pedra, e quando ouviu que os funcionários e padres se estavam aproximando do palácio, ele tinha essa pedra colocada na soleira da Porta do Palácio.
Tristemente o Imperador observou enquanto, um por um, os funcionários e os padres andaram através da pedra, falando uns com os outros acerca das diferentes coisas que iriam fazer para tornar a cerimónia mais impressionante.
O monge carregador foi o último monge a aproximar-se da pedra. Quando a viu, apesar de não saber ler, sentiu que era Escritura Sagrada. Ele parou e chamou um dos padres, "O que dizem estes caracteres?"
O padre virou-se, olhou para baixo e leu. "Porque, é o Sutra do Diamante!" disse, surpreso; mas manteve-se andando e conversando com os outros. O monge, no entanto, não atravessaria a soleira. Em vez disso, ajoelhou-se perante a pedra, e permaneceu fora da porta do Palácio.
O Imperador viu tudo isto e então ordenou ao monge que entrasse.
"Senhor," disse o monge, "Desculpe-me por lhe desobedecer, mas eu não posso desonrar estas palavras sagradas ao andar sobre elas." "Se estivesses lendo o sutra, poderias segurá-lo nas tuas mãos sem o desonrar, não podias?" perguntou o Imperador.
"Se eu pudesse ler, Senhor, não iria então desonrar as palavras por segurá-las nas minhas mãos."
O Imperador sorriu. "Então atravessa a soleira andando nas tuas mãos."
Então o monge deu uma cambalhota e entrou no Palácio tendo tocado apenas com as mãos na pedra.
O Imperador decretou então que este humilde monge deveria conduzir a cerimónia fúnebre. Mas quando o Imperador perguntou ao monge como ele pretendia proceder, o monge simplesmente respondeu, "Irei conduzir a cerimónia amanhã de manhã. Vou precisar de um pequeno altar, uma bandeira processional, algum incenso, velas e fruta de ofertório."
Esta não era a grandiosa cerimónia que o Imperador tinha em mente. Então, incitado pelos resmungos dos eminentes padres, começou a duvidar da sua decisão de permitir que o monge conduzisse os serviços. Imediatamente ideou outro teste. Ordenou que duas das suas mais belas e experientes concubinas fossem aos aposentos do monge e assistissem-no nas suas abluções para a cerimónia.
E nessa noite, por ordem Imperial, aquelas duas mulheres foram ter com o monge e deram-lhe banho e massagens; mas apesar de terem usado os mais sensuais ungentos e perfumes e de terem feito tudo o que sabiam para o excitar sexualmente, ele permaneceu insensível aos seus esforços. Quando elas acabaram, ele gentilmente agradeceu-as pelo seu auxílio e desejou-lhes boa noite. As mulheres relataram isto ao Imperador que ficou muito aliviado. Ele ordenou que a cerimónia fosse realizada de acordo com o projectado pelo monge.
Durante a cerimónia, o monge foi ao caixão da Imperatriz Mãe e disse, "Veja-me, cara Senhora, como o teu Rosto Original. Sabei que na realidade não há dois de nós mas apenas um. Apesar de não haver nada a conduzir e nada a seguir, por favor aceite a minha direcção e dê um passo em frente para entrar no Paraíso."
O Imperador ouviu isto por acaso e mais uma vez ficou desanimado com a simplicidade da dedicatória. "É isto suficiente para libertar Sua Majestade, a Imperatriz Mãe?" perguntou. Mas antes que o monge pudesse responder, a voz da Imperatriz Mãe, soando um pouco aborrecida, ressoou pelo Palácio. "Eu agora estou liberta, meu filho! Inclina a tua cabeça e agradece a este santo mestre!"
O Imperador ficou atordoado, mas tão feliz por ouvir a voz de sua mãe, que irradiava de alegria. Imediatamente mandou vir um banquete em honra do monge.
No banquete algo de estranho aconteceu. O Imperador apareceu numa vestimenta magnífica e quando o monge viu as calças do Imperador, que estavam ricamente bordadas com dragões do céu dourado, foi atingido pela sua beleza. O Imperador viu-o a olhar para as suas calças e disse, "Virtuoso! Gostas destas calças?"
"Sim, Senhor," respondeu o monge. "Acho que são muito brilhantes e muito bonitas. Elas brilham como candeeiros."
"São o melhor para as pessoas te seguirem," disse o Imperador; e no mesmo momento despiu as suas calças e deu-as ao monge! A partir de então, o monge ficou conhecido por "Mestre Imperial das Calças de Dragão".
Contei-vos esta história maravilhosa porque queria que se lembrassem sempre destas Calças de Dragão e do monge perseverante que as recebeu. Caros amigos, imaginem que vocês, também, estão vestindo aquelas calças brilhantes e sejam um candeeiro aos pés dos outros, uma luz brilhante que eles possam seguir. Lembrem-se também, que tão rapidamente como aquele monge deu conta das calças do Imperador, outros irão reparar em vocês. Não caiam em tentação ou distracção. Mantenham sempre o vosso Hua Tou na vossa mente. Nunca se separem dele. Irá tornar-se na fonte do vosso engenho. E, da mesma forma que deverão ajudar os outros, nunca deverão permitir que vós próprios fiquem desamparados.
Lembrem-se: motivo, meios, e oportunidade. Retenham a vossa motivação! Procurem os meios para a iluminação! Encontrem a oportunidade para praticarem! Para que então, quando alguém perguntar, "Quem tem a culpa do sucesso no Chan?" possam responder, "Sou Eu."